Estou montando minha lista de pessoas que quero conhecer pessoalmente em 2009 e não poderia deixar de lado o Luli Radfahrer. Tenho lido textos e mais textos realmente diferentes, especiais, provocadores e com muito conhecimento do Luli.

Abaixo um breve resumo do último post que li dele, sobre sua palestra a respeito de educação e professores.
Quero começar pelos argumentos mais usados por quem tem aquela velha opinião formada sobre tudo e não está disposto a contribuir com o debate:
1. que eu não tenho autoridade para expor o tema; e
2. que o tema não tem conexão com a realidade brasileira.
O primeiro desses argumentos eu considero simplesmente estúpido – não por mim, mas pela idéia de “autoridade” em si, autoritária por definição. A sugestão que alguém precise “ser autorizado a” ou “ter o direito de” expor um novo conceito, tema, opinião ou tendência é servil e contraditória, típica de uma época em que o poder e a informação eram bens centralizados e controlados (para quem insiste no argumento recomendo a leitura de minha série “o fim da Idade Mídia”, publicada há alguns posts neste blog).
Especial
Ninguém é especial. Nem a Helen Mirren ou a tia que ela representa.
Adestramento
O problema das aulas que “adestram” seus alunos é, sob esse aspecto, semelhante ao das revistas de celebridades, livros de auto-ajuda e programas de auditório em TV (boa parte do conteúdo da TV, aliás).
Recreação
A propósito, o termo “recreação”, caso você não tenha parado para pensar a respeito, tem sua origem em “criar novamente”, em usar o tempo livre em atividades construtivas que promovam a evolução pessoal e, nesse processo, reciclem as idéias. RPGs e Videogames, sob certos aspectos, são extremamente recreativos. Já reality shows, programas de auditório, sitcoms e até o futebol de domingo podem ter o efeito oposto.
Competição
O professor não deve nem precisa competir com seus alunos, não sei de onde surgiu um pensamento tão torto. Em outras profissões nunca foi assim. O técnico de futebol não precisa jogar melhor do que ninguém, o maestro não precisa tocar instrumento algum, o treinador de academia para a terceira idade não precisa ter mais do que 25 anos.
Sistema viciado
É bom deixar claro que o problema não está só no professor, mas em um sistema viciado, baseado no controle e distribuição da informação. Sob esse aspecto os alunos também estão errados ao procurar um “mestre” que lhes dê respostas prontas. Ora, se os mestres tivessem receitas facilmente aplicáveis, eles as usariam para si e para os seus. E essas respostas, de simples que são, cairiam em domínio público. Como não caíram, eis outro bom motivo para abandonar as fórmulas mágicas de “auto-ajuda”.
Fábricas de certificados
Os alunos precisam entender que escolas não são centros de adestramento nem fábricas de certificados, muito pelo contrário. Sua função é mostrar a imensidão, beleza e complexidade do mundo. O professor não deve ser encarado como um sabe-tudo, mas como um guia.
Diálogo
É a mesma idéia de um bom livro, filme ou música. Quando terminados eles promovem um diálogo, uma expansão do universo conhecido. Gil, Caetano e Chico estimulam o pensamento com seus versos.
Mídias sociais
As mídias sociais são o ambiente perfeito para a nova educação (e para sua prima mais pop, a Inovação). Ao permitir e estimular a troca de idéias, elas são as arenas onde poderão surgir novas formas de conhecimento com abrangência e extensão maiores do que os sonhos mais loucos.
E aí?
Só depende de nós.

Vale a pena ler na íntegra. Há um outro post sobre essa palestra, que também vale a pena.
Em tempo, a foto que abre o post, é de um evento que ele organizou, quando abriu vestido de lixeiro, num protesto contra o que é apresentado na maioria das palestras. Em tempo, o evento foi um sucesso, e muito inovador, com palestras simultâneas, num mesmo auditório.

Conheça mais sobre 