Acabei de ler uma entrevista de Tim Ferriss, com o esloveno Martin Strel, que nadou o rio Amazonas inteiro. Gastou 66 dias, e uma equipe de cerca de 20 pessoas. Foram 3.274 milhas, ou 5.268 Km. Começou no Peru e terminou em Belém.
Gostei muito do texto pois conta a história de como foi vencido um grande desafio. E o que Martin fez antes e durante para vencer, física e mentalmente. Além disso, mostra as marcas que uma provação dessas deixa na pessoa.

O “homem-peixe”, como ficou conhecido depois da façanha, quase morreu ao terminar. Mas sobreviveu para contar a história, e escrever um livro. Além do rio Amazonas, ele já nadou os rios Mississipi, Danúbio e Yangtze.
Quanto mais perigosa a viagem, mais aproveitamos cada momento. A música parece melhor, a comida tem mais sabor e até uma cachaça barata é saborosa.

Alguns pontos que mais gostei sobre a ”viagem”:
Desafios
- gente: piratas, animais: piranhas, cobras e candirú e doenças: malária e dengue.
Preparação
- seções de treinamento por ano, por categoria: natação 400, esqui 100, alpinismo 75, ginástica 75.
- ele considera o treinamento mental mais importante que o físico
Alimentação
- além de uma alimentação balanceada, bebe cerveja ou vinho diariamente para relaxar, o que considera fundamental.
O que faz durante as longas horas nadando
- pensa em inúmeras coisas, se esquecendo da natação, entrando em um estágio robô, com altíssima concentração, quase uma hipnose.
Trecho do livro “The Man Who Swam the Amazon”, escrito pelo guia da aventura, selecionado por Tim Ferris, que traduzo aqui.
Porque seguimos Martin nadando pelo Mississipi, Danúbio, Amazonas, ou Yangtze? A resposta é simples:
Uma expedição é 95% miséria e apenas 5% êxtase. Após três semanas de constante movimentação, muito longe de casa, algo estranho ocorre no homem. Ele se “quebra”. O primeiro sintoma é uma sensação de cansaço ou doença. Talvez até um pouco de medo e desamparo. Solidão. Então, alguma coisa muda lentamente. A pessoa se torna totalmente presente. Ele se esquece sobre todas as bobagens da vida. Nada importa mais.
O mesmo homem que era tímido, passivo, sem coragem, quando em casa ou na empresa, agora pode evoluir para uma pessoa que se senta numa mesa com pessoas perigosas, bebendo cerveja sem se preocupar, desfrutando cada minuto.
Depois, quando volta para casa e lida com os detalhes sem qualquer significado como contas de luz, pagamento de financiamento, e um trabalho sem sentido, um período de depressão inevitavelmente ocorre. Seus amigos não entendem porque ele quer deixar para trás sua existência aconchegante novamente, por mais três meses, para saltar na próxima oportunidade, em que ele próprio vai se sujeitar a momentos de miséria e perigo. Essas pessoas simplesmente não entendem.

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