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Acessei no blog do Christian Barbosa uma apresentação muito boa sobre produtividade.

Blog break

Muito trabalho = pouco tempo.

Pouco tempo = parada temporária no blog (volto em breve).

Colo

Ontem meu filho dormiu no meu colo, deitado no meu ombro.

Passando por uma ponte, em Buritis, Rondônia, há uma semana atrás.

Acabei de ler uma entrevista de Tim Ferriss, com o esloveno Martin Strel, que nadou o rio Amazonas inteiro. Gastou 66 dias, e uma equipe de cerca de 20 pessoas. Foram 3.274 milhas, ou 5.268 Km. Começou no Peru e terminou em Belém. 

Gostei muito do texto pois conta a história de como foi vencido um grande desafio. E o que Martin fez antes e durante para vencer, física e mentalmente. Além disso, mostra as marcas que uma provação dessas deixa na pessoa.

O “homem-peixe”, como ficou conhecido depois da façanha, quase morreu ao terminar. Mas sobreviveu para contar a história, e escrever um livro. Além do rio Amazonas, ele já nadou os rios Mississipi, Danúbio e Yangtze.

Quanto mais perigosa a viagem, mais aproveitamos cada momento. A música parece melhor, a comida tem mais sabor e até uma cachaça barata é saborosa.

Alguns pontos que mais gostei sobre a ”viagem”:

Desafios
- gente: piratas, animais: piranhas, cobras e candirú e doenças: malária e dengue.

Preparação
- seções de treinamento por ano, por categoria: natação 400, esqui 100, alpinismo 75, ginástica 75.
- ele considera o treinamento mental mais importante que o físico

Alimentação
- além de uma alimentação balanceada, bebe cerveja ou vinho diariamente para relaxar, o que considera fundamental.

O que faz durante as longas horas nadando
- pensa em inúmeras coisas, se esquecendo da natação, entrando em um estágio robô, com altíssima concentração, quase uma hipnose.

Trecho do livro “The Man Who Swam the Amazon”, escrito pelo guia da aventura, selecionado por Tim Ferris, que traduzo aqui.

Porque seguimos Martin nadando pelo Mississipi, Danúbio, Amazonas, ou Yangtze? A resposta é simples:

Uma expedição é 95% miséria e apenas 5% êxtase. Após três semanas de constante movimentação, muito longe de casa, algo estranho ocorre no homem. Ele se “quebra”. O primeiro sintoma é uma sensação de cansaço ou doença. Talvez até um pouco de medo e desamparo. Solidão. Então, alguma coisa muda lentamente. A pessoa se torna totalmente presente. Ele se esquece sobre todas as bobagens da vida. Nada importa mais.

O mesmo homem que era tímido, passivo, sem coragem, quando em casa ou na empresa, agora pode evoluir para uma pessoa que se senta numa mesa com pessoas perigosas, bebendo cerveja sem se preocupar, desfrutando cada minuto.

Depois, quando volta para casa e lida com os detalhes sem qualquer significado como contas de luz, pagamento de financiamento, e um trabalho sem sentido, um período de depressão inevitavelmente ocorre. Seus amigos não entendem porque ele quer deixar para trás sua existência aconchegante novamente, por mais três meses, para saltar na próxima oportunidade, em que ele próprio vai se sujeitar a momentos de miséria e perigo. Essas pessoas simplesmente não entendem.

O livro está a venda na Amazon.

É incrível o poder que a internet dá ao consumidor hoje em dia. Pesquisando para comprar um notebook aqui no Rio de Janeiro descobri algumas coias curiosas.

A mesma loja faz anúncios de produtos muito similares e com preços totalmente diferentes. Para um anúncio de uma página no suplemento de informática do jornal O Globo, um notebook por R$ 1.499,00. No site boadica, indicado pelo meu irmão, a mesma loja anuncia outro, um pouco melhor, por R$ 1.395,00.

Ao chegar na loja, a moça explica, tentando disfarçar o porque dessa diferença. Não consegue esconder a verdade. Quem vê no jornal, tem menos informção, e está mais disposto a pagar mais. Simplesmente (porque não sabe os preços mínimos dos produtos.

Quem vai no BoaDica, é o informado, o antenado, já pesquisou e comparou os melhores preços. Não há como vender mais caro para quem está no site de comparação de preços. Ou você tem preço baixo, ou não tem nada. Interessante que no RJ não anúncios no Buscapé, que uso bastante em SP.

Ainda nas compras, a vendedora da tal loja com preços diferentes no jornal e no site conseguiu perder a venda. Não passou segurança, conhecimento. Fiquei na dúvida, e preferir pagar um extra de mais de R$ 100,00 para o frete da Dell.

 

A Dell tem como diferencial o atendimento ao cliente, no pós-venda. Poderia melhorar, no entanto, seus contatos via site (em algumas partes com traduções toscas para o português), suas pesquisas de satisfação enviadas por email. E também o seu sistema de sites afiliados. Fazer um cookie valer apenas um dia me parece uma armadilha, do tipo prometo muito, entrego pouco.

Gapingvoid

Gapingvoid

Tenho feito cada vez mais palestras, as vezes mais do que duas no mesmo mês, em lugares muito diferentes. As duas últimas: Dom Pedrito, RS e Ji-Paraná, RO. Talvez tenha uma em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, em agosto.

Acredito cada vez mais que a chave da palestra é a habilidade de comunicar, e não ter dados e informações que ninguém tem.

É mais importante um “grand finale” numa palestra média do que uma palestra excelente com final mediano.

É preciso que sua fala se pareça com uma conversa, mas com muita emoção. Se estiver parecendo “uma palestra”, não está funcionando.

A preparação se paga. Quanto mais conhecer, revisar e ensaiar, melhor. Não é fácil, mas dá resultado.

Minhas principais referências em como palestras bem:

  • Guy Kawasaki - tem muitos artigos excelentes (como esse) e vídeos
  • Seth Godin - com quem pude aprender pessoalmente
  • Steve Jobs - que sempre dá um show nos lançamentos da Apple
  • Ben Casnocha - que tem um bom resumo sobre como fazer boas palestras no livro dele

Li essa semana dois posts de blogs de amigos sobre a FLIP (Festa Literária de Parati) e aumentou muito minha vontade de ir em 2009.

Teresa Genesini, que conheci no curso sobre Lacan, escreve:

Participar da FLIP já faz parte do calendário básico de quem está ligado na cultura. Passada a ressaca literária, musical, etc, falo do que ficou para mim, as sobras da FLIP.

E cita frase de Jayme Ovalle (1894/1955), sobre poesia, em entrevista a seu amigo Vinícius de Moraes.

É a coisa mais importante do mundo. Todo mundo nasce com ela, porque ela é a própria vida. Todo mundo é criado com o dom da poesia e só deixa de ser poeta porque perde a inocência. Quanto mais um homem crescer carregando consigo sua inocência, mais poeta ele é.

Eduardo Carvalho, participou pelo segundo ano, com cobertura pelo blog e pelo Twitter. Ele explica o que é a Flip.

A Flip é muito mais um evento social do que literário. Muita gente implica com o evento, que é um auê, uma pequena bagunça em torno de uma experiência que é acima de tudo íntima, solitária. Não vejo muito problema nisso.

No ano passado ele descobriu com identificar escritores brasileiros. Hilário.

O principal motivo de querer participar é:

A idéia da Flip, acho, é que pessoas interessadas em livros, em literatura, se encontrem para conversar, nas mesas oficiais ou fora delas. Conversar sobre livros não é a mesma coisa que lê-los, claro. O que não significa que seja ruim, errado.

Me interessa mais o lado festa, com pessoas interessantes e inteligentes. O lado negativo é que Parati deve ficar lotada demais nessa época, com os restaurantes, que são um bom programa, difíceis de se aproveitar direito. Talvez eu esteja mesmo ficando velho.

A festa também tem seu blog oficial. Acho que é oficial mesmo :-)

Recebi também essa semana, um convite do Digestivo Cultural, com o nome “para quem perdeu a Flip“. Deve ser para mim… Vale a pena, e se você não puder ir, o Julio deve colocar os MP3s depois, para download.

As viagens constantes para palestras, me fizeram começar a perceber mais nuances nas empresas aéreas.

A Tam está se esforçando para voltar aos tempos do comandante Rolim Amaro, quando era percebida pelos clientes como diferente da concorrência. Os tempos mudaram, a concorrência aumentou e está mais difícil ser diferente, pelo menos para melhor.

Perguntei a uma aeromoça, e ela confirmou, estão tentando melhorar. Tem até nome: “compromisso TAM”. Os comandantes estão mais atenciosos ao falar a tripulação.

O cardápio mudou um pouco. Em alguns vôos, pizza, em outros um “festival” de sopas, patrocinado pela Knorr. O sujeito do meu lado não gostou da sopa de milho e abóbora e ainda conseguiu derrubar 2/3 no colo e no chão. Me salvei por pouco…

Ao mesmo tempo, a Gol mantém o mesmo padrão, infelizmente agora com barrinhas mais baratas. A Trip, que opera muitas linhas regionais (voei ontem Ji-Paraná, RO a Cuiabá, MT), está procurando se aproximar da Tam. Distribuem até balas toffees (similares, e melhores, que os caramelos da Tam). No vôo de ontem, deram um certificado “aviador de primeira viagem” a três crianças que voavam pela primeira vez. Achei simpático e com chance de ficar gravado na memória dos pequenos.

Uma das grandes diferenças da Tam é o presidente, agora um piloto: o comandante Barioni. Ele faz pequenos comunicados aos clientes, contando de várias pequenas mudanças que a empresa está implementando. Novos aviões, pintura nova, museu de aviões antigos, etc.

Essa idéia do presidente da empresa se expor, contar a história da empresa, anunciar as novidades é fantástica. E ele tem uma cara tímida, mas simpática. Mas a forma de fazer pode melhorar. O comandante está muito engessado, parece o Robocop. Seria muito bom um curso de oratória, para uma fala mais natural, parecida com uma conversa. Ao assistir os vídeos atuais, fica a nítida impressão que é uma gravação, e que ele não está nada a vontade.

Acho também que está faltando concorrência. Os vôos estão quase sempre lotados, diminuindo a pressão pela diferenciação. Talvez a Azul venha a ajudar, mas já começou mal, ao fazer uma votação pública para escolher o nome da empresa no Brasil, e no final não ficar com o primeiro lugar (a empresa respondeu). Outra opção é a Virgin, do Richard Branson da Inglaterra, que também promete vir para o Brasil em breve. Esperamos ansiosos.

Há pouco mais de 10 anos, vender café em restaurantes e bares era considerado quase impossível no Brasil. Acreditava-se, mesmo em lugares “chiques” que o cliente não pagaria pelo café, deveria ser gratuito e não precisava ser de alta qualidade. Restaurantes muito bons tinham café coado, sem muita preocupação.

Café Fazenda Pessegueiro

Café Fazenda Pessegueiro

Com o tempo, foram surgindo os cafés espressos, com suas máquinas, em diversos lugares. Começou-se um trabalho muito bem feito de de promover (e vender) o café de alta qualidade. Os especialistas dizem que um tripé garante o espresso perfeito: o café, a máquina e o barista (profissional que “tira” o café).

A civilized way to the start the morning

Os grãos precisam ser escolhidos, selecionados, provados e torrados corretamente. A máquina muito bem regulada. E o barista treinado para preparar e explicar, ensinar sobre o produto.

Pode-se ter como exemplo o vinho, com suas regiões, cepas, histórias e tradições. Tudo isso existe no café, e é cada dia mais explorado. Um exemplo de marketing bem feito, além de incluir atualmente as certificações de sustentabilidade (3 pilares: social, ambiental e econômico).

Hoje isso, é possível encontrar cafés de excelente qualidade em muitos lugares do Brasil. A primeira marca que ganhou espaço foi a italiana Illy, tradicionalíssima em espressos no mundo. Eles são muito bons de produto, de promoção e marketing, e em contar a história da empresa, da família e do café. Têm, por exemplo, uma coleção de xícaras pintadas, para promover discretamente o café deles. Financiam uma universidade corporativa para treinar e capacitar produtores que fornecem matéria-prima. Fazem anualmente um concurso que premia os cafés, que melhor se adequam ao blend da marca. Enfim, fazem um trabalho muito bem feito para promover a marca e garantir sustentação do market share e sobre-preço conquistados. Outro exemplo, muito bem-sucedido de café de alta qualidade e caro, é o Nespresso da Nestlé.

Alguns produtores de cafés especiais perceberam que era preciso ser dono da marca para agregar mais valor ao seu produto. Um deles é o Café Fazenda Pessegueiro, da família Gonçalves Dias de Mococa-SP, capitaneado por Clóvis Gonçalves Dias Filho, ou Tio Clovinho como me acostumei a chamá-lo desde criança.

O café Pessegueiro é produzido em uma única fazenda e ganhou um prêmio único, “The Hidden Treasure”, da SCAE (Associação Européia de Cafés Especiais). O primeiro e único café brasileiro a ganhar essa honraria. Há pouco tempo começaram a fornecer para a rede argentina Havanna. O café é especial. E tem história.

No entanto, parece que alguns locais entendem o café espresso como mais uma oportunidade de faturar, sem se atentar para a qualidade. Sem se preocupar com café, máquina ou barista. Ontem, no aeroporto de Campo Grande, tomei um espresso na Casa do Pão de Queijo que me assustou. Um café mal tirado, sem creme, nada especial, parecia mais um café coado e “cozido”, daqueles que ficam horas na garrafa térmica, ou em banho maria. O preço: R$ 2,00! Perguntei assustado: é esse o café espresso? A moça, indiferente, respondeu: sim. E virou-se. Em outras franquias da CPQ, o cuidado com o café é maior, parecido com dado ao pão de queijo (sou fã do recheado com polenguinho).

Quem vende café espresso de qualidade conseguiu fazer algo muito difícil, mudar o hábito do brasileiro. Criando um novo mercado, daqueles que pagam e apreciam cafés diferenciados. Isso é fantástico e deve ser comemorado. No entanto, quem vende gato por lebre precisa ser combatido. A melhor forma para isso é levar mais informação, ensinar o consumidor. Um ótimo exemplo é o vinho. Há mercado para vinhos caros e baratos, mas eles não se misturam.

Um café que simplesmente foi feito em uma máquina de espresso não pode ser vendido e entendido como o mesmo que um café gourmet, especial, com história, bem tirado. É preciso mais do que isso. Não vamos misturar o especial com o comum.

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